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Com Selic em 7,75%, a tendência é que outras instituições também aumentem suas taxas de juros para o crédito imobiliário

Depois do maior aumento da taxa Selic em 2021, de 1,50%, ser confirmado pelo Comitê de Política Monetária, COPOM, nesta quarta-feira, o Banco do Brasil foi a primeira instituição financeira a reajustar suas taxas de juros de financiamento imobiliário para esse novo cenário econômico.

O aumento na taxa de juros do BB foi de, em média 0,5 pontos percentuais, considerando que o banco é o que possui maior variação nas taxas de juros a depender do perfil de crédito de quem solicita a aprovação do financiamento. 

Confira como ficam a partir de agora as taxas de juros para um financiamento de 375 mil reais com diferentes perfis de compradores:

Taxa de juros do Banco do Brasil antes e depois do aumento de 1,25% na Selic

Apesar de parecer um reajuste pequeno, não se engane! Se você está pensando em financiar um imóvel, precisa estar preparado para o impacto que esse reajuste de 0,5 pontos percentuais pode impactar na parcela mensal do financiamento. 

Valor da parcela mensal antes e depois reajuste na taxa de juros do Banco do Brasil

Para você entender quanto pesa esse reajuste no bolso no final do mês, fizemos uma simulação de como ficaria a parcela de um financiamento de 300 mil Reais, em 360 meses, antes e depois do reajuste na taxa de juros do Banco do Brasil. Lembrando que nessa simulação, utilizamos um comprador hipotético de 40 anos, que não possui vínculo com o Banco do Brasil.

Ao longo do primeiro ano de financiamento, a parcela aumenta cerca de 150 reais por mês, o que gera um acréscimo de aproximadamente 1700 Reais no ano. Já no total de 360 meses, a diferença chega a aproximadamente 25 mil Reais.

Por dentro do aumento da taxa Selic, e suas consequências

Agora, se você é leitor assíduo do portal da imobles, e está com a impressão de que você já leu esse conteúdo por aqui, pode ficar tranquilo, não é só impressão. Repetidas vezes viemos falando sobre a reação das instituições financeiras diante das consecutivas guinadas da Taxa Selic. Afinal, desde o primeiro aumento da taxa básica de juros, de 0,75%, ainda em março, já foram cinco elevações consecutivas, fazendo o indicador chegar ao patamar de 7,75% ao ano, o maior índice desde outubro de 2017. 

E não deve parar por aí!  Segundo os dirigentes do COPOM, a tendência é que novos aumentos voltem a estampar as manchetes: “Diante da deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante”, afirmam no anúncio da nova taxa básica de juros.

À “deterioração no balanço de risco” e “o aumento de suas projeções” os membros do COPOM se referem à crescente, também contínua, dos indicadores de inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na última segunda-feira, o Boletim Focus, atualizou sua previsão de teto para o indicador, passando de 8,45%, para 8,96% em 2021. No início do ano, a meta era de não ultrapassar 5,25% ao ano.

Com a expectativa pessimista do indicador oficial de inflação brasileiro, a Selic entra em cena como principal ferramenta de política monetária responsável pelo controle da inflação no país. 

Assim, o aumento da taxa Selic funciona como um “freio” para a economia, diminuindo a demanda para que os preços possam se estabilizar novamente. Ou seja, com o aumento da taxa Selic, já tida como “taxa básica de juros brasileira”, as taxas de crédito de diferentes linhas também ficarão mais altas, e o crédito imobiliário não fica fora dessa.

Mas afinal, é só a Taxa Selic que influencia nas taxas de juros do financiamento imobiliário?

Não! A taxa Selic é apenas um dos fatores que influenciam na composição das taxas de juros do financiamento imobiliário. Além dela, questões como o percentual de inadimplência no país, a demanda por crédito imobiliário e até a competitividade entre as instituições que oferecem crédito imobiliário, são condições que influenciam no cálculo da taxa de juros por parte dos bancos.

O que se pode afirmar é que há uma tendência de que as taxas de juros de financiamento acompanhem a movimentação da taxa Selic, ou seja, a mudança das taxas não depende unicamente das movimentações da taxa básica de juros.

Vai comprar um imóvel nesse contexto? Confira nossas dicas

  • Esteja certo de que você sua renda mensal comporta a nova parcela do seu financiamento: Para quem já está pagando as parcelas do financiamento, ou já tem a carta de crédito em mãos, não há o que temer. Já para aqueles que ainda estão em busca do melhor banco para financiamento imobiliário, é preciso fazer os cálculos e entender se, a longo prazo, sua renda mensal é suficiente para cobrir a parcela do seu financiamento. Caso não seja, a aprovação do seu pedido de financiamento imobiliário se tornará mais difícil. Lembrando que você só pode dedicar 30% da sua renda para esse fim. 
  • Se você está pensando em comprar um imóvel, garanta sua carta de crédito o quanto antes! Você já deve ter ouvido essa dica por aqui, afinal esse é um conselho clássico e eficaz. No momento que você tem em mãos sua carta de aprovação de crédito, além de saber exatamente qual o valor que você tem disponível para financiar, você também congela a taxa de juros no percentual estipulado pela instituição financeira naquele dia. Ou seja, você pode comprar seu imóvel até em média 90 dias depois da data de aprovação do crédito, com a taxa daquele momento. Assim você não fica sujeito às oscilações de taxa dos bancos.