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A instituição divulgou ontem um recuo de 0,4% no financiamento imobiliário corrigido pela poupança, um dos menos utilizados por compradores de imóveis

Nos últimos dias, a notícia que reverberou em diversos portais nacionais foi o anúncio feito pela Caixa Econômica Federal sobre a diminuição na sua taxa de juros de financiamento imobiliário. 

Manchetes sobre a diminuição da taxa de juros da Caixa Econômica Federal

Apesar da grande repercussão, a verdade é que essa mudança pouco impacta no bolso de quem está à procura de um novo imóvel para chamar de seu.

Afinal, o recuo de 0,4% divulgado oficialmente na última quinta-feira, 16, pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, abarca somente os financiamentos imobiliários corrigidos pela poupança, uma das modalidades menos utilizadas pelos compradores. Com a alteração, as taxas de juros para essa linha de crédito passam de 3,35% para 2,95% ao ano mais o rendimento da poupança. 

Enquanto isso, a taxa de juros da modalidade mais popular de financiamento imobiliário, com correção monetária pela Taxa Referencial, segue inalterada, no patamar de 7,25% ao ano + TR. 

Entenda as modalidades de financiamento disponíveis na Caixa Econômica Federal:

  • Correção com Taxa Referencial: JUROS + TR → Não houve redução de juros
  • Correção IPCA: JUROS + IPCA → Não houve redução de juros
  • Financiamento com Taxa Fixa: JUROS FIXO sem correção mensal  → Não houve redução de juros
  • Correção pelo Crédito Imobiliário Poupança: JUROS + Poupança → Redução de juros de 3,35% para 2,95%

Agora vamos aos fatos: a alteração realizada na terceira modalidade de crédito apresentada, com correção pela poupança, sequer pode ser chamada de “diminuição” na taxa de juros. 

Isso porque, como a poupança é influenciada diretamente pela Taxa SELIC, com as recentes elevações desse índice, essa modalidade de financiamento vinha, na verdade, sofrendo um aumento constante. Portanto, o reajuste feito na quinta-feira pela a Caixa Econômica Federal, na prática, foi a “redução do aumento” à la Black Friday, para equilibrar o custo da total das parcelas dessa modalidade.

#Naprática: entenda o que REALMENTE você precisa saber após anúncio da Caixa

  • As notícias de redução de juros podem ser consideradas uma “meia-verdade”: muito alarde pra pouco impacto no bolso do comprador de imóveis;
  • Na modalidade mai utilizada pelos brasileiros (JUROS + TR), as taxas de juros dos Bancos, na data de hoje, são:
    • Santander: 8,99% + TR
    • Bradesco: 8,50% até 8,90% + TR
    • Itaú: 8,30% até 8,80% + TR
    • Banco do Brasil: 8,40% + TR
    • Caixa Econômica Federal: 7,25% até 7,6% + TR
  • Como você pode notar, a Caixa tem as menores taxas de juros nessa modalidade.  O que acontece é que, diferente de bancos privados, a Caixa ainda não repassou o reajuste da sua tarifa de juros, diante da instabilidade econômica atual;
  • No fim do dia, a notícia mais importante para o comprar de imóveis é: a Caixa ainda não aumentou os juros de financiamento imobiliário na principal modalidade, com correção via TR, porém é provável que essa situação não dure muito tempo em virtude da tendência alta da Taxa Selic. Ou seja, esse momento é uma boa oportunidade para garantir a aprovação do seu financiamento imobiliário com uma das menores taxas de juros de crédito da história.
Dica extra: mesmo que ainda não tenha decidido qual imóvel comprar, você já pode pedir aprovação do seu crédito. Esse é um trunfo poderoso na hora da compra, já que aprovando com antecedência seu financiamento você pode “travar” a taxa de juros no patamar atual, e se proteger da tendência de aumento nas taxas de juros. Afinal, depois de aprovado o financiamento imobiliário, você tem de 3 a 6 meses para escolher o imóvel e usar o crédito. E, caso você desista da compra não há nenhum custo ou multa.