Recentemente, o COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central, quebrou a hegemonia de seis anos consecutivos mantendo a taxa Selic em estagnação ou queda. A Selic é a taxa básica de juros do Brasil, e serve de base para o cálculo de tarifas de juros em diferentes modalidades de concessão de crédito, como empréstimos e financiamento imobiliário, por exemplo. Esse índice é revisto a cada 45 dias pelo COPOM, que considera indicadores econômicos e sociais para a instituição dessa taxa que tem impacto direto no mercado imobiliário.

O aumento de 0,75% realizado em março de 2021, sinaliza uma tendência de restabelecimento da Selic, que se manteve fixada em 2% desde agosto de 2020, até março de 2021, o menor patamar desde 1997. Essa crescente na taxa básica de juros brasileira, acendeu um alerta para investidores do mercado imobiliário: afinal essa tendência de aumento tem um impacto direto no bolso daqueles que estão em busca de um imóvel?

Para te ajudar a esclarecer essa questão, compilamos em um só artigo a opinião de especialistas e profissionais do mercado sobre o impacto desse alteração no mercado imobiliário como um todo. Vamos lá?!

O que diz o jornal Valor Econômico

Para as incorporadoras entrevistadas pelo Valor Econômico em matéria exclusiva, o aumento realizado em março pelo COPOM, não representa uma ameaça a curto prazo para a atividade do setor imobiliário. A conclusão desses profissionais é de que até 6% de Selic, mesmo havendo manutenção nos valor do juros do financiamento imobiliário, esse incremento na taxa de juros não será um fator de influência direta na decisão de compra do imóvel.

Um dos profissionais entrevistados pelo Valor é Carlos Bianconi, presidente da RNI Negócios Imobiliários. Para ele, mesmo com a taxa Selic em tendência crescente, as vendas da construtora não serão afetadas diretamente. “Atuamos no interior do Brasil onde a renda é um pouco mais consistente. Nosso cliente já lidou com Selic de 9% e 10%”, afirma o presidente em entrevista ao jornal. 

Já em relação à atividade dos investidores que apostam no tijolo, o setor também segue confiante. Afinal, a rentabilidade desse tipo de investimento, considerando o aluguel e a valorização anual dos imóveis, ainda se mantém mais atrativa se comparada a aplicações como a poupança e a renda fixa. A solução nesse caso seriam as aplicações de maior risco, como ações na bolsa de valores, investimentos que, apesar de conterem maior liquidez em comparação com os imóveis, também são de alto risco para os investidores. 

Um dos defensores dessa posição ouvidos pelo Valor, é Alexandre Frankel, fundador da Vitacon, para ele “A taxa de juros atual precisaria triplicar para ter algum efeito no investidor de renda”.

O que diz o Exame Invest

Já na matéria Alta da Selic pode afetar crédito habitacional? Especialistas respondem, da Exame Invest, o consenso é de que apesar de haver uma tendência de aumento nos juros de financiamento dos principais bancos brasileiros, a curto prazo, esse crescimento não impacta no comportamento do mercado imobiliário, que segue em ritmo de reaquecimento do setor.

Entre as fontes consultadas pela Exame, estão representantes das principais instituições  reguladoras do mercado, como Cristiane Portella, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Para Cristiane Portella: “As taxas devem subir, não só por causa da alta da Selic prevista para 2021, mas também por causa da mudança no comportamento dos juros futuros. O financiamento imobiliário é um produto de longo prazo, então os bancos olham para os próximos 10 ou 15 anos antes de tomar decisões”.

Já na opinião de Luiz França, “Os preços dos imóveis continuam bastante atrativos, então mesmo que as taxas voltem a subir as condições de compra permanecem favoráveis”.

O que diz o Jornal Folha de São Paulo

Em matéria publicada no site do jornal, a  Folha de São Paulo entrevistou o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, indagando sobre a manutenção das taxas de financiamento imobiliário após o aumento da taxa Selic. O banco é um dos principais provedores desse tipo de crédito imobiliário. 

Segundo Pedro Guimarães, o banco não elevará a taxa de juros mesmo com o aumento da taxa Selic. Em entrevista, o presidente da Caixa explicou como é feito o cálculo da taxa de juros, esclarecendo que a taxa fixa praticada pela instituição considera a curva de juros a longo prazo, e não a de curto prazo, que seria influenciada pela taxa Selic. “A vida média de crédito imobiliário da Caixa fica em torno de 8 anos. A decisão do Banco Central reduziu um pouco o câmbio e segurou as expectativas das taxas mais longas. Só vamos elevar os juros se houver expectativa de taxas longas superiores às atuais”, afirmou Pedro Guimarães.

O que diz a UOL Economia

O portal UOL produziu uma reportagem especial sobre o preço dos imóveis em 2021, considerando o aumento da Selic e outros fatores como o custo de insumos básicos para o setor da construção civil  e o comportamento dos consumidores durante a pandemia de COVID-19 no Brasil. Segundo as fontes ouvidas pelo portal, os brasileiros terão que desembolsar um valor maior em 2021 para adquirir imóveis em comparação com o ano anterior. 

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esse aumento pode ficar entre 5 e 10%, diferença que pode ser relativa de acordo com a situação de cada família, afirma Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da CBIC, em entrevista para o UOL. “O peso do INCC sobre o preço final de um imóvel no Itaim Bibi [bairro nobre da capital paulista] varia de 3,5% a 4%”, diz ele. “Já para um imóvel do programa Casa Verde Amarela [mais popular] vai de 5,5% a 6%”.

Continue a aprender sobre o comportamento do mercado imobiliário

Agora que você já sabe a expectativa de diferentes especialistas sobre o futuro do setor imobiliário com a tendência de aumento da taxa Selic, que tal continuar aprendendo sobre o Mercado Imobiliário no Brasil?